CASO DE SUCESSO NR 35

Falha de Andaime em Chapecó: A Linha de Vida Salva Mais uma Vez

Como os sistemas de ancoragem redundantes da NR 35 evitaram uma queda fatal de 25 metros de altura no Sul do país.

Operário suspenso em linha de vida ao lado de andaime inclinado em Chapecó

No trabalho em altura, a diferença entre um susto e um acidente fatal reside unicamente na redundância de proteção. Na manhã de terça-feira, 7 de julho de 2026, uma falha mecânica em um andaime suspenso (plataforma) deixou um operário pendurado a aproximadamente 25 metros de altura em um edifício em construção no centro de Chapecó (SC). O caso é um exemplo prático irrefutável de como a aplicação rígida da NR 35 evita tragédias.

O Incidente: Falha no Freio do Andaime no Centro de Chapecó

O trabalhador realizava serviços de acabamento na fachada externa do edifício quando um dos freios da plataforma mecânica suspensa falhou repentinamente. O andaime inclinou-se de forma acentuada, fazendo com que o operário perdesse o apoio para os pés.

A queda livre, no entanto, foi imediatamente interrompida. O trabalhador utilizava o cinturão de segurança tipo paraquedista, que estava corretamente conectado a um trava-quedas acoplado a uma linha de vida independente. Ele permaneceu suspenso de forma estável ao longo da fachada, sem sofrer qualquer impacto contra o solo.

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina realizou uma complexa operação de resgate em altura. Utilizando técnicas de salvamento com cordas (acesso por corda), a equipe conseguiu descer o trabalhador com segurança após cerca de uma hora e meia de suspensão. O operário foi avaliado pela equipe médica e liberado sem ferimentos físicos.

Como a Redundância de Ancoragem Salvou a Vida do Trabalhador

O sucesso desse desfecho decorre de um conceito fundamental de segurança: a redundância mecânica. A NR 35 (Trabalho em Altura) determina que o trabalhador nunca deve estar ancorado na mesma estrutura que serve de sustentação para sua plataforma de trabalho.

A linha de vida independente, feita de cabo de aço ou corda sintética de alta tenacidade, possui ancoragem fixa no topo do edifício (vigias ou ganchos homologados sob a NR 18). Desta forma, o colapso, a quebra de cabos ou a falha mecânica de freios da plataforma suspensa não comprometem a ancoragem do trabalhador.

O Perigo Oculto: Síndrome da Suspensão Inerte

O resgate de um trabalhador suspenso deve ser executado de forma rápida e planejada devido ao risco da Síndrome da Suspensão Inerte (SSI), também conhecida como trauma de suspensão.

Quando uma pessoa permanece imóvel na vertical suspensa por um arnês, as fitas do equipamento comprimem as veias das coxas, impedindo o retorno adequado do sangue venoso das pernas para o coração. Isso pode levar a episódios de tontura, perda de consciência e, em casos extremos, falência circulatória em menos de 15 a 20 minutos.

Para mitigar esse risco, a NR 35 exige:

  • Plano de Emergência e Resgate: Toda obra deve ter equipes treinadas e kits de resgate rápidos prontos para retirar o trabalhador suspenso em tempo mínimo.
  • Alça de Alívio de Trauma: O uso de fitas ou alças de estribo acopladas ao cinto, onde o trabalhador suspenso pode apoiar os pés para contrair os músculos das pernas, aliviando a compressão femoral e mantendo o fluxo sanguíneo.

A Importância das Barreiras de Proteção Coletiva (EPC)

Embora a proteção individual (EPI) tenha funcionado perfeitamente no caso de Chapecó, a segurança no trabalho em altura é otimizada quando combinada com a proteção coletiva. A instalação de redes de segurança do tipo fita perimétrica ou tipo console (redes de proteção de fachadas) cria uma barreira secundária contra a queda de operários e também impede a queda de ferramentas e materiais em direção às vias públicas inferiores.

A certificação de redes de proteção sob a norma ABNT NBR 16046 garante que as malhas e os sistemas de fixação possuam a resistência necessária para absorver impactos dinâmicos severos, fornecendo segurança integral ao canteiro de obras e aos pedestres que transitam abaixo.

Referências Técnicas:

  • 1. NR 35 — Trabalho em Altura — Requisitos de Ancoragem e Resgate.
  • 2. NR 18 — Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.
  • 3. ABNT NBR 16046 — Redes de proteção para edificações.
  • 4. Ocorrência de resgate em Chapecó — Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (07/07/2026).